| Chegou o tão esperado dia para a colônia japonesa. É hoje o encontro com o príncipe Naruhito no Anhembi. Vinte e cinco mil pessoas devem lotar as arquibancadas do sambódromo.
Conheça os detalhes desta festa em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Será, certamente, um fim de semana de grande emoção para a colônia japonesa.
Nas arquibancadas, famílias de várias partes de São Paulo e até de outras cidades assistirão às apresentações de música, dança, artes marciais e do tradicional taiko. Mas o que todos querem ver é o príncipe Naruhito, o filho mais velho do imperador Akihito. O príncipe deve chegar ao Anhembi por volta de 16h30. Ele vai ficar na tenda das autoridades, que passou por uma vistoria do Gate, Grupo de Ações Táticas Especiais.
A movimentação foi grande durante toda a manhã no sambódromo. Tudo tinha de estar impecável para a recepção ao príncipe Naruhito. Os preparativos para a festa do centenário também contaram com ajuda de um grupo de fãs do estilo de vida oriental.
Centenas de pontinhos azuis espelhados pelo sambódromo. São eles que vão garantir que tudo funcione direitinho. Mais de dois mil voluntários de entidades religiosas chegaram cedo para um dia em que trabalho não vai faltar.
“A gente está passando todo o ensinamento budista para que a gente possa contribuir de alguma forma com esses japoneses que vieram para o Brasil há cem anos”, disse a voluntária.
Muitas horas antes do inicio das apresentações, a área de concentração do sambódromo estava completamente tomada. Até parecia carnaval, com todos seus elementos: música, dança, instrumentos musicais, ansiedade. Entre tantos figurinhos coloridos, um bem mais básico chama a atenção: é a roupinha branca dos praticantes de rádio taissô, a ginástca rítmica japonesa.
“No Japão foi fundado em 1928 e naquela época não havia TV nem CD nem DVD. Então, era transmitido através do rádio”, contou o instrutor.
Outra turma se preparou durante a manhã para deixar emocionados o príncipe e todo o público. A Orquestra Filarmonica Brasileira Ikeda vai tocar o tema da festa e também preparou uma versão especial de Aquarela do Brasil.
Na manhã deste sábado o príncipe teve um compromisso em Santos, cidade que recebeu há cem anos os primeiros imigrantes.
Foi no porto que desembarcou o navio Kassato Maru, trazendo os primeiros imigrantes que sonhavam encontrar no Brasil mais oportunidades para as famílias.
O príncipe Naruhito deixou o hotel na região dos Jardins por volta de 9h30. A comitiva seguiu de carro em direção à Rodovia dos Imigrantes.
Mais do que uma porta de entrada para a nova vida no Brasil, Santos foi a cidade adotada por muitos imigrantes japoneses que estão orgulhosos com a visita do príncipe herdeiro.
Durante muitos anos Santos foi conhecida como Porta do Sol Nascente. Estima-se que entre 1908 e 1968 duzentos e sessenta mil japoneses entraram no Brasil pelo porto da cidade.
Apesar de terem saído do outro lado do mundo para trabalhar em lavouras no interior de São Paulo e no Vale do Ribeira muitas famílias escolheram Santos para fazer a vida.
Na segunda metade do século 20, o governo japonês a apoiar a estruturação da colônia no Brasil. Grandes terrenos foram comprados em várias regiões do Estado e repassados aos imigrantes que quisessem vir ao Brasil. Em Santos, o dinheiro foi usado para adquirir um imóvel que passou a abrigar a sede da sociedade japonesa.
“Era neste lugar que os líderes da colônia japonesa se encontravam para determinar os rumos da vida social da colônia”, contou Sadao Nakai, diretor da Associação Japonesa de Santos.
No prédio funcionava também uma escola que recebia filhos de japoneses de todo o litoral paulista. Em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, o imóvel foi confiscado pela união e ficou em poder dos militares.
Em dezembro de 2006, num acordo com o governo brasileiro, a Associação Japonesa de Santos teve de volta a sua antiga sede. Uma restauração foi feita para recuperar as características originais do imóvel. Os últimos dias foram de muito trabalho.
O príncipe participou da inauguração da escultura da artista plástica Tomie Ohtake, que esteve presente na cerimônia. A obra tem 20 de comprimento, 15 de altura e dois de largura. Foram usadas 80 toneladas de aço. A estrutura tem chapas especiais mais resistentes à ação do tempo. A escultura integra o parque público que está sendo construído no emissário. |